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Testar e Tratar - Importância do CD4

Sobre o Testar e Tratar

Toda tomada de decisão depende basicamente do ponto de vista. Nos dias de hoje, é incontestável o benefício coletivo se pensarmos na possibilidade de identificar e tratar todas as pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA), na perspectiva de redução da carga viral individual, e por consequência, diminuir o somatório da carga viral circulante, o que tem impacto crucial na redução da transmissão do HIV, diminuindo o número de casos novos de pessoas infectadas. Aprendemos isso principalmente com o estudo HPTN 052, e na prática já vivenciamos essa situação nos últimos anos, graças à ampliação na faixa de indicação de início de terapia antirretroviral em diversos países em todo o mundo, mudança essa muito relacionada à redução no número de casos novos observada globalmente.


O contraponto a essa argumentação se faz na medida em que a terapia antirretroviral tem nuances intrinsicamente individuais que vão desde as importantes dificuldades que a infecção pelo HIV traz na esfera psíquica e social da PVHA, passando pela questão de comorbidades e interações medicamentosas pré-existentes que impeçam o uso de um ou mais antirretroviral, e chegando nos eventos adversos, agudos e crônicos, que além de colocar a vida do paciente em risco, podem ser extremamente estigmatizantes, como a lipodistrofia por exemplo. Mas também há justificativas individuais a favor do tratamento universal, que apesar de serem poucos palpáveis nos dias de hoje, são bastante promissores. São eles a redução da inflamação crônica (liga ao envelhecimento precoce) causada pela carga viral positiva, e a possibilidade de redução dos reservatórios do HIV, o que facilitaria uma possível cura, quando essa estiver disponível.

Em termos práticos, o que faço no meu dia-a-dia é ponderar junto aos meus pacientes sem indicação clara de início de TARV (CD5> 500, e outras situações acima dessa faixa contempladas no PCDT) os potenciais riscos e os benefícios individuais e coletivos, chegando à uma decisão em conjunto, pois os dois lados dessa relação devem assumir o ônus e o bônus nessa hora. Todos nós, médicos e PVHA, temos que assumir a responsabilidade não somente do controle da epidemia, mas também no bem-estar individual.

                                    Sobre a redução na indicação da Contagem de CD4

A contagem de CD4, como qualquer outro teste laboratorial, deve ser indicada quando possibilitar uma decisão terapêutica, ou indicar algum risco consequente. Dessa forma, a realização desse teste logo após a triagem e o diagnóstico de infecção pelo HIV sempre vai ser imprescindível, bem como durante o período inicial de tratamento, principalmente naqueles em que o CD4 for mais baixo inicialmente. O que diversos estudos mais recentes têm apontado, é que na grande maioria das PVHA com CV indetectável e boa recuperação imunológica (CD4> 400-500), a realização desse teste não acrescenta em nada, trazendo apenas ansiedade ao paciente com variações que são normais, tanto ascendentes quanto descendentes, e que são transitórias.

Numa população com boa resposta imunológica, e com CV indetectável por mais que 1-2 anos, a realização anual, ou mesmo a não realização do teste é conduta segura, e que economiza recursos que pode ser realocados para outras áreas estratégicas. Porém, é importante ressaltar e repetir que essa interpretação não cabe naqueles indivíduos com diagnóstico e tratamento recente e com CV detectável, bem como naqueles com CV indetectável, mas não respondedores imunológicos.

Na minha opinião pessoal, muitos boatos vem surgindo após reuniões regionais da diretoria do DN DST/Aids - Hepatites Virais sem que se conheça o completo conteúdo da resolução proposta para a diminuição na frequência de realização do CD4. Penso que um posicionamento mais claro do DN poderia evitar interpretações indevidas.

 

 

Blog Renato da Matta 29/Mai/2014 - http://www.renatodamatta.com/blog/consideracoes-do-dralexandre-naime-barbosa-sobre-o-testar-e-tratar-e-o-fim-do-teste-de-cd4#.VMqPk2jF9qV


 

 

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