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Falta de informação e preconceito dificultam prevenção ao HIV

 

 

 

 

 

 

 

 

Matéria em colaboração com a Assessoria de Imprensa do HC Unesp, publicada em 01/12/2015

 

Link original: clique aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falta de informação, falha nas políticas públicas e preconceito. Esses são alguns pontos que permeiam a acquired immunodeficiency syndrome, ou simplesmente Aids. Conhecida como Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a doença foi diagnosticada pela primeira vez no Brasil em 1982, segundo o Ministério da Saúde. Hoje, são contabilizados mais de 700 mil casos da doença. Em 1996, Sistema Único de Saúde (SUS), começou a fornecer tratamento gratuito para pessoas que vivem com Aids, um pioneirismo entre os primeiros países de baixa e média renda.


Segundo o professor e médico infectologista da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e membro titular da International Aids Society, Alexandre Naime Barbosa, atualmente o Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM), que tem vínculos assistenciais junto ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), atende cerca de 800 pessoas vivendo com HIV/Aids, sendo 50% desse total proveniente do município de Botucatu. Ele ressalta que de cada três portadores do HIV, um ainda não descobriu esse diagnóstico, portanto, o número exato de portadores do vírus da Aids na cidade é desconhecido. Por isso a importância de todos fazerem a testagem anti-HIV.


“O HIV é um vírus que destrói o sistema imune, ou seja, ele afeta os mecanismos de defesa do corpo humano contra infecções causadas por bactérias, fungos, protozoários, vírus e outros agentes infecciosos. Dessa forma, se não descoberta precocemente, a infecção pelo HIV progride de forma silenciosa, sem sintomas por até 10 anos e, quando a doença se manifesta, já o faz na forma da Aids, que é o estágio avançado onde as infecções oportunistas podem levar à morte”, explica. Sobre a mudança na vida do HIV positivo, o especialista esclarece que se a doença for descoberta e tratada precocemente, o impacto na rotina de um paciente com o HIV/Aids é muito discreto, visto que o tratamento hoje em dia é altamente eficaz, e tem pouquíssimos eventos adversos. “Costumo dizer que o principal problema da infecção pelo HIV não é o vírus e sim o preconceito e estigma da sociedade em geral”, avalia.


Para Naime, políticas públicas eficientes são uma ótima forma de divulgar como fazer a prevenção da doença, mas elas precisam ser adequadas para dialogarem com as populações mais vulneráveis, abordando esse público de maneira mais assertiva, o que não acontece hoje. “As campanhas de prevenção eram, até um passado recente, muito pontuais, “caretas”, e não dialogavam com as populações mais vulneráveis. Ou seja, não adianta fazer peças publicitárias muito formais e somente em épocas como o Carnaval. É preciso falar sobre prevenção o ano todo, e na linguagem dos mais jovens. Perdeu-se o medo da Aids e o descompromisso com a prevenção ficou evidente em recente pesquisa, que revelou que apesar de 94% das pessoas saberem que a melhor forma de evitar o HIV é usando o preservativo, mais de 45% não usam de forma rotineira com parceiros eventuais, destaca.
O médico ainda pondera que há uma clara falha das políticas públicas de prevenção ao HIV/Aids.

 

Segundo ele, o número de casos novos de infecção pelo HIV é extremamente preocupante em algumas populações, principalmente entre os mais jovens. “Nos últimos seis anos, o aumento entre jovens de 15-24 anos foi de 50% no Brasil. E infelizmente, essa também é a realidade vivenciada em Botucatu, onde o SAEI-DAM, recebe os casos novos da cidade e da região”, afirma.


Naime é taxativo quanto a melhor forma de prevenção, colocando o preservativo como principal aliado para diminuição do número de casos da doença. “O preservativo (camisinha) é a barreira mais efetiva contra o HIV. Se usado de forma correta é 100% efetivo em bloquear a transmissão do vírus. Mas também existem métodos adicionais altamente efetivos e já disponíveis à população, como a PEP (Profilaxia Pós-Exposição Sexual) ao HIV. Em uma relação sexual em que o preservativo não foi usado ou se rompeu, se algumas medicações anti-HIV forem tomadas em até 72 horas, o risco de transmissão é nulo. Em Botucatu, a PEP Sexual está disponível desde 2011 no SAEI-DAM e no HCFMB, de forma gratuita pelo SUS”, finaliza.

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