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Epidemia de HIV no país está muito longe de ser controlada, diz infectologista

December 10, 2018

Matéria em Colaboração com o Portal Yahoo publicada em 01/Dez/2018

 

Link para a matéria aqui, ou leia abaixo.

 

Apesar da queda no número de óbitos no Brasil, a Aids não acabou e os cuidados contra o vírus são mais que necessários. É o que alerta a infectologista Marinella Della Negra, uma das precursoras no atendimento a portadores do HIV/Aids no país, que atuou por mais de 40 anos no Instituto Emílio Ribas.

 

“Mesmo que o diagnóstico da Aids/HIV já não seja mais um atestado de óbito sem data, como era na década de 1980, o vírus ainda é considerado grave e, se não diagnosticado precocemente e tratado, pode matar e, em menor grau, continua matando”, alerta a especialista em entrevista ao YAHOO.

 

Nos últimos quatro anos, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado na última terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde, foi registrado uma redução de 16,5% na taxa de mortalidade do vírus. Em 2014, 5,7 a cada 100 mil habitantes morriam em decorrência da infecção. Número que caiu para 4,8 óbitos/100 mil habitantes em 2017.

 

“Qualquer queda deve ser comemorada, mas essa ainda é uma resposta muito tímida frente a um programa que oferece tratamento retroviral para todos os pacientes”, avalia Alexandre Naime Barbosa, médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que diz acreditar que  a epidemia de HIV/Aids no país “está muito longe de ser controlada“.

 

Na opinião dele, os números absolutos das mortes ainda são preocupantes e expõem uma fragilidade do sistema em detectar os infectados, que também favorece o surgimento de casos novos. De 1980 a junho de 2018, o Brasil registrou 926.742 casos de Aids no Brasil, uma média de 40 mil novos casos por ano. O número anual de casos de Aids vem diminuindo desde 2013, quando atingiu 43.269 casos; em 2017 foram registrados 37.791 casos.

 

“As ocorrências, no entanto, vem aumentando em algumas populações, principalmente entre os jovens de 13 a 24 anos, que estão no início da vida social e produtiva”, ressalta Barbosa. “Isso por que muitos minimizam os riscos do vírus, diante da existência de um tratamento efetivo, além de se agarram na sensação de onipotência.”

 

Mas, ainda que o tratamento exista e garante uma qualidade de vida aos infectados similar aos soronegativados, a prevenção é sempre o melhor caminho, como aponta Marinella. “Não é legal ter que tomar pelo resto da vida os remédios, sujeitos a intolerâncias e efeitos colaterais.”

 

Camisinha é opção, mas não a única

 

Qualquer pessoa que transar sem camisinha tem a possibilidade de se contaminar com o HIV, como aponta Barbosa. Isso porque a transmissão é eminentemente sexual –com risco aumentado no sexo anal. Em uma proporção muito menor, também pode ser transmitido da mãe para o filho, a partir da transfusão de sangue, bem como do compartilhamento de agulhas e seringas –seja para o uso de drogas e de anabolizantes.

 

Portanto, segundo Marinella, o uso da camisinha é o método preventivo mais simples e eficaz –que além de ser uma proteção contra o HIV é também uma proteção às DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Mas não é o único. Caso você tenha transado sem o preservativo em uma relação casual, a especialista recomenda o uso da PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV). Uma medida de prevenção à infecção que está disponível gratuitamente na rede pública de saúde e que também é indicada caso o preservativo estoure.    

 

O importante é dar início ao tratamento em até 72 horas após a exposição ao HIV e tomar os medicamentos antirretrovirais por 28 dias para evitar a sobrevivência e a multiplicação do vírus no organismo. Veja quais são as unidades de saúde ligadas ao SUS (Sistema Único de Saúde) que disponibilizam a PEP pelo Brasil.

 

Profilaxia Pré-Exposição ao HIV

 

Já as pessoas que estão recorrentemente expostas ao vírus podem recorrer ao PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), uma pílula que deve ser tomada diariamente capaz de evitar uma infecção caso ocorra a exposição ao vírus da Aids. A opção também está disponível gratuitamente no SUS para homens que fazem sexo com homens, transexuais, trabalhadores/as do sexo e quem não é portador do HIV e se relaciona com uma pessoa infectada pelo vírus. (Saiba onde encontrar ) 

 

Estudos apontam que tanto o PEP como o PrEP possuem uma eficácia muito próxima a 100%, afirma o professor da Unesp. Mas, como qualquer medicamento, não estão isentos de efeitos colaterais (não muito comuns), tais como dor de cabeça, enjoos e diarreia.

 

“Ninguém está imune ao vírus”

 

Como destaca Barbosa, não precisa pertencer aos grupos de risco para adquirir o HIV. “A infecção está democraticamente distribuída entre pobres e ricos, brancos e negros, heterossexuais ou homossexuais. Tem alguns grupos mais vulneráveis como os jovens e os homens que fazem sexo com homens, mas ser mais vulnerável não significa isentar as outras populações do risco.”

 

Segundo ele, todo mundo teria que fazer o teste de HIV ao menos uma vez na vida e refazê-lo a cada exposição desprotegida. Feito a partir da coleta de saliva (fluido oral), o exame fornece resultados em aproximadamente 30 minutos. É simples, gratuito e indolor. A recomendação é que seja feito de 20 a 30 dias após a relação sexual, tempo da chamada janela imunológica [período entre a infecção pelo vírus e a produção de marcadores detectáveis pelos testes laboratoriais].

 

Deu positivo

 

E, em casos de diagnóstico positivo, o recomendável é buscar atendimento médico para que se possa dar início ao devido tratamento. “Um tratamento que no Brasil é disponibilizado a todos – sem exceção – que sejam diagnosticados com o vírus. Nos EUA, por exemplo, essa cobertura é de apenas 50%”, compara Ricardo Diaz, infectologista e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

 

Da estimativa de pessoas infectadas pelo vírus no país, segundo o Ministério da Saúde, 84% estão diagnosticadas. EM 2017, o índice de pessoas em tratamento aumentou de 60% para 75%, se comparado ao ano anterior. Até setembro de 2018, 585 mil pessoas estavam em tratamento para Aids no país. Se fizer o tratamento corretamente, um paciente infectado pelo vírus pode viver o mesmo tanto que qualquer outra pessoa sem HIV na sua faixa etária. Ou seja, sua expectativa de vida vai ser a mesma, diz Barbosa.

 

“O que muda na vida dessas pessoas e que têm que tomar a medicação diariamente e pelo resto da vida, além de se submeterem a exames de controle a cada seis meses. Do resto, não são impedidas de fazer absolutamente nada. Pode beber, pode se relacionar com alguém sem HIV, as mulheres podem engravidar. Vida normal.”

 

Quem faz o uso da medicação, como explica Barbosa, consegue atingir a chamada carga viral indetectável e passa a não transmitir mais o vírus. “Portanto, se com um passe de mágica conseguíssemos fazer o diagnóstico de todos os infectados do mundo e, no dia seguinte, começássemos os tratamentos, não teríamos mais a transmissão do vírus. Esse é o caminho:  intensificar o diagnóstico.”

 

 

 

 

 

 

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